Afeganistão: o atoleiro das intervenções humanitárias

Num território e população estas características, a ideia de fazer um exercício de engenharia social e de transformação cultural foi um ignorar gritante da realidade que acabou de forma dramática.

1. 25 anos separam a primeira entrada triunfal dos taliban em Cabul da segunda. A primeira ocorreu em Setembro de 1996, alguns anos após a retirada soviética. A segunda, em Agosto de 2021, escassas semanas após a retirada norte-americana, deixando a generalidade da opinião pública ocidental estupefacta. Mais do que qualquer outro acontecimento do passado recente, o caso do Afeganistão exemplifica a falta de uma visão político-estratégica coerente dos EUA e do Ocidente. Mostra ainda, da forma mais crua possível, a falácia das intervenções humanitárias de “state-building” e de “nation-building” em territórios com características sociológico-políticas pré-modernas onde a generalidade da população rejeita os valores e a visão do mundo ocidental.

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