Doces vs. vegetais: supermercados podem ajudar consumidores a fazer escolhas mais saudáveis

O estudo foi feito em parceria com a cadeia galesa de supermercados Iceland Foods Ltd, numa selecção de lojas onde as vendas foram monitorizadas, assim como os padrões de compra e a dieta de uma amostra de clientes regulares.

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Scott Evans/Unsplash

É quando o consumidor se está a aproximar da caixa para pagar as suas compras que as prateleiras se enchem de chocolates, rebuçados e pastilhas elásticas. A remoção destes produtos nesta área, bem como do topo dos corredores dos supermercados e a sua substituição por frutas e vegetais podem fazer a diferença na saúde dos consumidores e ajudar a que façam compras de alimentos mais saudáveis, revela um estudo coordenado por Christina Vogel e Janis Baird da Faculdade de Medicina da Universidade de Southampton, no Reino Unido, publicado esta terça-feira na revista PLOS Medicine.

O estudo foi feito em parceria com a cadeia galesa de supermercados Iceland Foods Ltd, numa selecção de lojas em Inglaterra, onde as vendas foram monitorizadas, assim como os padrões de compra e a dieta de uma amostra de clientes regulares. Assim, os investigadores observaram que a venda de produtos de confeitaria diminuiu e a de frutas e vegetais aumentou quando foram postos nas prateleiras, próximas das caixas registadoras, produtos não alimentícios e água. Outra das mudanças nesses supermercados foi o reposicionamento, perto da entrada da loja, da zona das frutas e dos vegetais. 

“Alterar o layout dos supermercados pode ajudar as pessoas a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis​e a mudar a dieta da população rumo às recomendações dietéticas governamentais. As conclusões do estudo sugerem que um layout de loja mais saudável contribui para a venda de quase dez mil porções extras de frutas e vegetais e aproximadamente menos 1500 porções de produtos de confeitaria, semanalmente, em cada loja”, contabiliza Christina Vogel, especialista em nutrição na saúde pública e epidemiologista.

Janis Baird, também epidemiologista e professora de saúde pública, vai mais longe e declara, citada pela PLOS Medicine que, se o Governo britânico definisse na lei a proibição de alimentos com baixo teor nutritivo junto às caixas registadoras e no topo dos corredores, e obrigasse a ter destacada a zona dos produtos hortícolas e frutícolas junto à entrada dos supermercados, os efeitos na saúde e na mudança dos hábitos dos consumidores poderiam “ser ainda maiores”. 

Matt Downes, director para o desenvolvimento da cadeia Iceland Foods, também concorda que os políticos podem ter uma palavra a dizer, mas que o sector em que trabalha, o do retalho, também deve envolver-se nessa mudança. “Temos o prazer de apoiar este estudo de longo prazo e a avaliação de como a colocação dos produtos nos supermercados pode afectar a dieta dos nossos clientes. Sabemos que a obesidade infantil é um problema crescente e que o sector do retalho tem um papel a desempenhar para lidar com isso”, diz.

Este estudo foi financiado pela Academia de Ciências Médicas, pela fundação Wellcome Trust, pela Universidade de Southampton e pelo Instituto Nacional de Investigação em Saúde (NIHR, na sigla inglesa).