Ela estava nos cuidados intensivos com covid-19. Ele agarrou-se a um sinal durante dez dias a dizer “Amo-te”

O norte-americano Gary Crane explicou à CNN que não sabe de onde lhe surgiu a ideia para apaziguar o medo que sabia que a mulher estaria a sentir. “Só queria que ela soubesse que eu estava a torcer por ela.”

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Cortesia Donna N Gary Crane

Quando, com sintomas graves de covid-19, a mulher deu entrada nos cuidados intensivos de um hospital da Florida, EUA, Gary Crane, de 61 anos, decidiu que, mesmo proibido, não iria deixar de comunicar com Donna, de 56 anos. E a ideia veio-lhe não sabe muito bem de onde. “Apenas lhe disse: ‘Quero que olhes pela janela.’”

Com uma forte insuficiência respiratória, Donna assim o fez, com a ajuda do pessoal de enfermagem. E, no parque de estacionamento da unidade, lá estava Gary com sinais em que se lia “ILU”, ou seja, “amo-te”. “As enfermeiras disseram: ‘Oh meu Deus, ele tem um cartaz! Isso é tão querido!’”, recordou Donna, citada pela CNN.

Nos dez dias que se seguiram, ao longo dos quais Donna lutou contra a falta de ar, Gary, um tenente do Departamento de Bombeiros do Condado de Marion, fez questão de ir ao mesmo parque de estacionamento e segurar o mesmo cartaz, antes de seguir para o trabalho. “As enfermeiras sentavam-me na cama e deixavam-me olhar pela janela, deixavam-me ver que ele estava lá às 8 da manhã e eu pensava ‘vamos conseguir’”, disse Donna.

Gary explicou à CNN que não sabe de onde lhe surgiu a ideia para apaziguar o medo que sabia que a mulher estaria a sentir. “Só queria que ela soubesse que eu estava a torcer por ela.”

Donna, que afirma que a doença mudou a sua vida, foi infectada com o novo coronavírus antes de ter a vacinação completa — tinha sido inoculada apenas com a primeira dose. E os sintomas acabaram por se agravar, resultando numa insuficiência respiratória que obrigou ao internamento nos cuidados intensivos. “É a coisa mais aterradora que alguma vez experimentará na sua vida, ali deitada sem conseguir respirar”, descreve a mulher, que apela a que a população se vacine.

Actualmente, nos EUA, Vermont é o estado que revela uma maior taxa de vacinação completa (68,35%), mas quase metade dos 50 estados não ultrapassa os 50%, com as teorias negacionistas e os movimentos antivacinas a impedirem que muita gente aceite ser inoculada. Em Portugal, à data desta sexta-feira, quase 80% da população tem o processo de vacinação concluído.

E Donna só gostaria que ninguém tivesse de passar por o que ela passou, mesmo tendo a evolução da doença sido positiva: Donna acabou por superar a dificuldade respiratória e sair do hospital, confirmando ao PÚBLICO estar a sentir-se melhor a cada dia que passa. No entanto, afirma que a covid-19 lhe mudou a vida, apontando para um futuro com menos trabalho e mais tempo para desfrutar das pessoas que a rodeiam.