Phil Collins anuncia abandono da bateria e última tournée com os Genesis

The Last Domino? é o título do novo disco, mas também da digressão que irá começar esta semana no Reino Unido e depois se estenderá aos Estados Unidos e ao Canadá.

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Phil Collins num concerto em Telavive, em 2005 REUTERS/Oleg Popov

Não é a primeira vez que Phil Collins anuncia o abandono da sua carreira musical, mas, desta vez, as razões parecem bem mais ponderosas. O baterista e vocalista dos Genesis confronta-se com uma grave lesão na coluna vertebral, que o impede mesmo de tocar bateria e o obriga a cantar sentado nos concertos ao vivo. Uma situação que, no entanto, não o impede, nem à banda a que se associou há quase meio século, de anunciar a realização de uma nova digressão, com o título The Last Domino?, a começar já na próxima quarta-feira, dia 15, em palcos do Reino Unido e que depois se estenderá aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foi numa entrevista difundida esta quinta-feira pela BBC, com reflexo na imprensa internacional, que Phil Collins deu conta da sua agenda mais próxima, e dos condicionamentos da sua vida e carreira. “Sinto-me fisicamente um pouco diminuído, o que é muito frustrante, porque gostaria de ser eu a tocar”, confessou o músico na entrevista, ao anunciar a digressão que marcará o regresso da sua banda à estrada. “Mal consigo segurar numa baqueta com esta mão. Portanto, há certas limitações físicas que tenho de enfrentar”, explicou o músico, que em palco irá ser substituído, na bateria, pelo seu filho Nick.

Apesar disso, Phil Collins vai acompanhá-lo, e também aos seus companheiros históricos Tony Banks (teclas e guitarra) e Mike Rutherford (baixo), que, desde 1976, com ele protagonizaram a segunda vida da bem-sucedida história dos Genesis, após a saída de Peter Gabriel, no ano anterior, da banda que criara o mítico álbum The Lamb Lies Down on Broadway.

The Last Domino? poderá, desta vez, muito bem ser de facto a última digressão de Phil Collins, que já em 2011 tinha anunciado a sua retirada dos palcos, numa altura em que se confrontava já com vários problemas de saúde, depois de, dois anos antes, ter feito uma primeira intervenção cirúrgica às costas, e depois ter sido também vítima de uma queda.

“As minhas vértebras têm estado a esmagar a espinal medula devido à posição em que toco bateria. É o resultado de vários anos a tocar. Nem sequer consigo pegar correctamente nas baquetas sem que isso se torne doloroso. Inclusivamente, cheguei a colá-las com fita adesiva para tocar”, disse na altura o baterista, lembra agora o diário espanhol ABC.

“Todos nós somos homens de uma certa idade, e creio que, de certo modo, esta tournée permitirá concluir as nossas carreiras. Pelo menos, da minha parte, não sei se quererei voltar à estrada”, disse agora Phil Collins à BBC sobre o modo como perspectiva a nova digressão dos Genesis.

The Last Domino? Tour começa esta quarta-feira na Irlanda, com concertos em Dublin e Belfast até ao final da semana, seguindo-se várias cidades em Inglaterra e depois, a partir de meados de Novembro, nos Estados Unidos e o no Canadá.

Para trás fica a história de uma das bandas que, tendo-se inicialmente afirmado, ainda no final da década de 1960, como pioneira no rock progressivo, sob a direcção de Peter Gabriel – que depois optaria por uma também marcante carreira a solo –, se tornou nas décadas de 80 e 90 numa das formações com maior êxito no mundo do rock, com mais de cem milhões de discos vendidos, e com Phil Collins a conquistar oito Grammys.

À margem da notícia da nova digressão dos Genesis, e da “confissão” dos problemas de saúde de Phil Collins, o nome do músico britânico foi também notícia na última semana em França, depois que se soube que o clube de futebol Paris Saint-Germain (PSG) decidiu substituir a batida sincopada do tema Who said I would (1991), que durante três décadas ritmava a entrada da equipa no Parque dos Príncipes, por uma canção do francês DJ Snake. A mudança consumou-se já este sábado, no início do jogo do campeonato francês em que o PSG bateu o Clermont por 4-0 (e que assinalou a estreia no clube parisiense do ex-sportinguista Nuno Mendes). A substituição da música foi justificada por um responsável da direcção do clube, Fabien Allègre, em declaração ao diário Le Parisien, pelo desejo de introduzir uma nova estratégia e de dar voz aos talentos da música francesa. Mas nem a nacionalidade compatriota do DJ Snake parece ter convencido os adeptos do PSG a aceitar a substituição de Phil Collins, decisão que provocou uma onda de contestação nas redes sociais.