Vlachodimos salva Benfica em Kiev

Os “encarnados” saem da Ucrânia com um empate com muito drama envolvido. Vlachodimos salvou a equipa duas vezes no último minuto, mas o Dínamo ainda teve um golo anulado pouco depois. Valeu o VAR ao Benfica.

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EPA/SERGEY DOLZHENKO

Nem sim, nem não. O Benfica saiu nesta terça-feira da Ucrânia com um empate (0-0) frente ao Dínamo de Kiev que nada hipoteca, mas também não é especialmente encorajador nas contas do grupo E da Liga dos Campeões.

Com este resultado, os “encarnados” – que somam três quedas consecutivas na fase de grupos desta prova – desperdiçam a hipótese de dar, desde já, um passo em frente na luta pelos oitavos-de-final (o Barcelona perdeu frente ao Bayern Munique) e também na disputa de um lugar de acesso à Liga Europa.

No fim de contas, o Benfica foi, por um lado, a equipa que mais quis vencer esta partida. Por outro, o Dínamo foi quem teve as melhores oportunidades. E se o que se passou durante 91 minutos pode ter deixado ao Benfica um sabor a pouco, o que se passou nos últimos dois minutos cria uma tremenda sensação de alívio para os “encarnados”.

Na antevisão da partida escreveu-se que, na última Champions, “o Dínamo foi, entre as 32 equipas, a quarta com menos posse de bola e a quinta com menos remates por jogo, que mais tempo passou no seu primeiro terço do campo e que menos tempo passou no terço adversário”.

Nesta terça-feira, em Kiev, a equipa ucraniana não mudou um milímetro na postura que já tinha tido na época anterior. O Benfica teve o domínio total do jogo, não necessariamente por competência, mas por subjugação consentida por parte do Dínamo, remetido a menos de meio campo, num bloco médio-baixo.

Foi até curioso ver como na primeira e única vez que o Dínamo subiu a pressão e arriscou apertar a construção “encarnada”, o Benfica conseguiu colocar a bola entre sectores, aproveitando a forma como o adversário “esticou” o bloco – e é claramente uma equipa impreparada para pressionar em bloco.

O Benfica, a construir a três (mais Weigl e João Mário) pareceu até ter demasiados jogadores numa primeira fase de construção. Paciente, foi rodando a bola de um lado ao outro, mas o povoado bloco ucraniano raramente se desposicionou e foi até ficando mais fechado com o passar dos minutos – faltaram ao Benfica alas que obrigassem a defesa adversária a alargar, algo em que o 3x4x3 é limitativo, quer pelo jogo interior pedido aos avançados, quer pela falta de apetência e competência ofensiva de Gilberto.

Em matéria de oportunidades de golo houve um remate ao lado de Rafa, aos 3’, uma grande defesa de Vlachodimos num livre directo, aos 10’, e um remate de Yaremchuk, aos 41’. De resto foi, em geral, uma primeira parte de paciência e incapacidade de furar o bloco.

Boa teoria, má prática

Mal começou a segunda parte o Benfica pareceu vir com indicações claras: logo aos 46’, Grimaldo experimentou uma incursão em largura, obrigando o bloco adversário a abrir espaços. Terminou com remate infeliz de Everton.

Aos 54’, um lance confuso na área ficou à frente de Yaremchuk, que rematou para defesa de Boyko. Era a melhor oportunidade do jogo, saída de uma dinâmica interessante: Grimaldo começou a pedir a bola por dentro, quase como médio-interior, dando o corredor a Everton. E houve alguma confusão criada nos ucranianos.

Esta necessidade de largura seduziu Jorge Jesus a lançar Radonjic e Lázaro, além de Darwin, procurando claramente dar velocidade, vertigem (que Everton e Gilberto não dão, pelo jogo sempre pausado) e a tal largura.

As mexidas, com aparente nexo no plano teórico, acabaram por “matar” o Benfica, que se tornou ainda menos fulgurante do que já estava a ser. Viram-se vários minutos de quase nada, em Kiev, com Jesus a não querer abdicar dos três centrais que há vários minutos pareciam algo redundantes, perante o pouco Dínamo que havia.

Aos 85’, o técnico deu mais imprevisibilidade à equipa – e muita falta fazia – com a entrada de Taarabt. Foi demasiado tarde e o marroquino não fez pelo jogo algo de especial, como esperaria Jesus.

Quando já nada se esperava da partida, o Dínamo enviou uma bola à trave e, na recarga, Vlachodimos salvou. Logo a seguir, salvou de novo. Salvou e foi salvo - pelo VAR, que ainda anulou um golo aos ucranianos, por fora-de-jogo.