Cartas ao director

Custos da pandemia

No que diz respeito à Europa e ao mundo, a pandemia que estamos a viver, se bem que tem sido um pesadelo para os povos, tem sido igualmente uma oportunidade que tem colocado a descoberto a nossa fragilidade para lidarmos com determinadas situações, o que acaba também por revelar a nossa impreparação perante problemas que complicam as nossas vidas em sociedade.

As instituições internacionais desdobram-se em pomposas reuniões de trabalho, onde estão em cima da mesa a apresentação de propostas, o debate de ideias e a procura de uma solução para as situações que não apenas carecem de atenção, mas também de respostas, sendo um facto que as divergências de pontos de vista e opiniões que prevalecem umas sobre as outras são muitas vezes a razão do atraso conveniente na resolução dos problemas, com reflexos desastrosos para os cidadãos.

Sabemos que determinadas ocorrências são o resultado da acção humana, sem sabermos com que fins, e as suas consequências, embora saibamos que muitos acabam por servir interesses comerciais, e onde somos levados a acreditar que só um esforço conjunto, no cumprimento de regras bem definidas para todos, terá mais impacto em acções concretas no terreno do que reuniões onde se discute o acessório em lugar do essencial, com elevados custos sociais.    

Américo Lourenço, Sines

Carta para os negacionistas portugueses

É verdade que, por todo o mundo, muitas pessoas contraíram a covid pelo facto de não acreditarem na eficácia das vacinas e, por manifestarem essa convicção, não se vacinaram. No nosso país tenho conhecimento de pessoas que contraíram a covid, não por se serem negacionistas mas pelo facto de não se terem precavido e, em muitos casos, mesmo tendo todas as cautelas não sabem como foram infectadas. Em Espanha, segundo notícias divulgadas, vários artistas contraíram a doença. Juan Peña, um desses artistas, encontra-se internado num hospital público de Madrid e tem passado um autêntico calvário com a doença. Não que descurasse a vacinação - realizou testes antígenos, testes da saliva – mas acabou por contrair o vírus e hoje apela, veementemente, a todos os espanhóis que se vacinem. O mencionado actor afirmou no seu Instagram que aquilo que tem sentido com a doença se assemelha, cito, “a um tractor gigante que lhe passou por cima”. Negacionistas portugueses: ainda continuais a bradar contra as vacinas?

António Cândido Miguéis, Vila Real

Campanha eleitoral e adjacentes

Perante uma hecatombe social, os candidatos autárquicos nem afloram este flagelo. Estamos perante 800 mil desempregados reais, as moratórias a acabar, os sem abrigo pululam e estes temas são invisíveis. Estas notórias ausências são graves de mais para serem esquecidas. Não admira que a abstenção volte a ser relevante. Todas estas situações devem merecer da parte dos municípios atenção. Quando o chefe do governo faz campanha de norte a sul pelos candidatos do seu partido, nunca sabemos se fala como primeiro-ministro ou secretário-geral do PS... Em todas as suas intervenções fala dos milhões da “bazuca”, sendo exaustivo, configurando um rolo compressor a prometer amanhãs que cantam... A demagogia eleitoral pode tirar votos.

Foi lamentável, que metade do debate televisivo, na RTP, sobre Lisboa tenha sido sobre as ciclovias e os seus declives(!). O moderador, impreparado, fez o jogo ao ainda presidente da câmara, deixando correr o debate... O frete a Fernando Medina, o “russogate”, foi lamentável.

Vítor Colaço Santos, São João das Lampas

Alterações climáticas
Na página 12 do PÚBLICO de 17/09/21, São José Almeida questionou os oito líderes dos partidos com assento parlamentar sobre alterações climáticas. Dos sete que se pronunciaram, nenhum abordou (como é habitual) o problema principal: o interior do país real. Os fogos nas florestas e muito menos a sua reabilitação.
Todos pensávamos que a vivência com os fatídicos incêndios de 2017/18, viria de facto dar início a valer na união das milhentas pequenas parcelas e a sua reflorestação racional. Não aconteceu nada.
Estes 7 “senhores” nada disseram sobre o que de verdade deve ser feito, ou por outra, o que devia ter sido iniciado há mais de trinta anos. Mal comparado, é como a descentralização: Nada é feito, mas quando é: desloca-se uma qualquer repartição ou empresa, de Lisboa para o Porto ou para Coimbra (como é o falado caso da deslocação do Tribunal Constitucional). A isto eu chamo deslocalização e nunca descentralização. O país real, está desde tempos imemoriais, votado ao ostracismo.
O povo é sereno, não é burro, mas tem memória curta.
Guilherme da Conceição Duarte, Vale Cabeiro