10 000 Russos marcham a dançar contra a inércia

Superinertia, o quarto álbum do trio portuense, canta em psicadelismo e rock’n’roll hipnótico, exploratório, uma Europa inerte e cansada. A banda fá-lo no preciso momento em que parte à descoberta do que será o novo mundo (ainda pandémico) do Velho Mundo: dia 29 arranca uma digressão europeia de um mês.

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João Lima

Começamos bem perto, no coração da Europa, em viagem perante espectros e fantasmas, ritmo incessante de locomotiva, nebulosa sónica a dar à paisagem um ar surreal, sonho pesadelo, som libertador. Station Europa, dizem os 10 000 Russos, terra de onde, cantam, estão a ser esquecidas palavras inspiradoras, fundadoras — “no more french words”, ouvimos, e essas palavras que cantam são as três que Revolução Francesa exclamou em 1789: “Liberté, egalité, fraternité”. Acabaremos lá longe, em Mexicali/Calexico, num longo road-movie de 14 minutos que atravessa o deserto mexicano, espaço fantasmagórico, perigoso e misterioso, e que se aventurará Estados Unidos dentro em velocidade e cenário psicadélico crescentes. Do coração da Europa cansada e inerte, assim a vê o vocalista-baterista João Pimenta, ao surrealismo selvagem do deserto, espaço vazio, em aberto, à espera de ser preenchido.

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