Saúde e doença mental: promover capacidades e o potencial de cada um

A saúde mental é importante em todas as fases da vida, desde a infância até a idade adulta, neste sentido, a sua promoc¸a~o cabe a todos e deve envolver todas as dimenso~es da vida das pessoas.

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@petercalheiros

O que é a saúde mental?

A saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um estado de bem-estar que permite às pessoas desenvolverem as suas capacidades e o seu potencial, além de contribuir para a forma como lidam com as adversidades e como contribuem activamente para a sua comunidade. Neste contínuo, integra-se também a saúde mental, que inclui o nosso bem-estar emocional, psicológico e social e afecta a forma como pensamos, como sentimos e como agimos. De igual modo, relaciona-se com a nossa capacidade de adopção de comportamentos de protecção e de evitar o risco, com a forma como nos relacionamos com os outros, como lidamos com o stress e como fazemos escolhas.

A antiga premissa da separação entre o corpo e a mente revelou-se, há muito tempo, sem fundamento e hoje olhamos para a saúde mental e para a saúde física como estando intrinsecamente ligadas. A depressão, por exemplo, aumenta o risco de alguns problemas de saúde física, tal como a presença de condições físicas crónicas, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares pode aumentar o risco de depressão.

A saúde mental é importante em todas as fases da vida, desde a infância até a idade adulta, neste sentido, a sua promoção cabe a todos e deve envolver todas as dimensões da vida das pessoas, incluindo as relações interpessoais, a alimentação, a qualidade do sono, a segurança pública, o acesso aos cuidados de saúde, a mobilidade, etc..

O que é a doença mental?

As doenças psiquiátricas são doenças do funcionamento do cérebro e afectam os pensamentos, as emoções e os comportamentos de quem sofre. Também podem estar comprometidas outras dimensões, como por exemplo, a percepção. Não existe uma causa única para a doença mental, normalmente, surge pela conjugação de factores biológicos e ambientais, como as alterações genéticas, os eventos de vida negativos, as situações traumáticas e as situações de vulnerabilidade social incluindo a discriminação e a pobreza.

As doenças psiquiátricas afectam pelo menos 25% dos portugueses, podem surgir numa idade jovem e têm tratamento que não prejudicam o paciente, pelo contrário, permitem melhorar a sua qualidade de vida. Depois de formulado o diagnóstico é preciso acompanhar a pessoa de forma regular, iniciando o tratamento logo que possível, que pode incluir psicoterapia (realizada por psicólogo ou psiquiatra com formação em psicoterapia), medicação ou uma conjugação de ambas. Há dados que sugerem que, em algumas perturbações, como por exemplo a depressão, a conjugação melhora os resultados obtidos quando comparada com qualquer uma das componentes (psicoterapia ou medicação) separadamente. Em alguns casos, também é importante o envolvimento de terapeutas ocupacionais, enfermeiros de saúde mental, assistentes sociais ou outros profissionais.

Doença mental e o impacto psicológico de uma situação de vida

A sociedade ainda tem dificuldades em assumir que em algum momento da sua vida, qualquer pessoa pode sofrer de uma doença mental e ter de recorrer a tratamento medico e/ou psicológico. Existem doenças mentais mais complexas e que requerem tratamento ao longo da vida, como por exemplo, a esquizofrenia e a doença bipolar, e existem outras decorrentes de situações desafiantes de vida, que nos fazem precisar de intervenção psicológica e psiquiátrica especializada durante um período limitado de tempo.

Ter problemas ligados ao nosso bem-estar psicológico não é uma vergonha nem uma fraqueza. As situações de vida que podem levar uma pessoa ao psicólogo podem ser transitórias, relacionadas com questões emocionais, desenvolvimentais e práticas da sua vida diária em família e/ou no trabalho. Nos adultos, são muitas vezes fruto do acumular de coisas não resolvidas e a crença de que os sentimentos negativos vão passar com o tempo, ou, no caso das crianças, com o seu crescimento, faz com que se adie o pedido de ajuda e agrave a situação. São exemplos de situações de vida que podem necessitar de acompanhamento especializado: dificuldades na relação conjugal onde um dos membros é pouco sensível ao impacto do seu comportamento no outro, luto pela morte de um ente querido, dificuldades relacionais com um colega de trabalho, relação conflituosa entre pai e filho, e, nas crianças: medos, dificuldades alimentares nos primeiros anos de vida; reduzidas competências sociais e emocionais.

Embora o ser humano tenha uma elevada capacidade de adaptação há situações adversas que podem, naturalmente, evoluir para a doença mental agravada, como a história de abuso físico ou sexual, agressão, ser testemunha de violência, experiências relacionadas com condições médicas continuadas, como o cancro, a doença de Crohn, ou viver isolado da família.

Convém sempre recordar que quando existem pensamentos estranhos, ou se a ansiedade, a tristeza ou a angústia dominam toda a vida da pessoa, causa sofrimento e impede-a de sentir prazer em coisas que antes era motivo de satisfação ou mesmo de sair de casa e de estar com os amigos e a família, então, é importante procurar um profissional especializado.