Telegram e Signal ganham dezenas de milhões de utilizadores com apagão do Facebook

O Facebook viu o tempo diário gasto por cada utilizador reduzir-se em 24% na segunda-feira. No mesmo dia o Telegram passou a ser a aplicação mais descarregada em 40 mercados.

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O Telegram e o Signal registaram um aumento de 18% e 15%, respectivamente, no que toca ao tempo médio gasto por cada utilizador Reuters/DADO RUVIC

O apagão de segunda-feira da Facebook Inc, que inclui, além da rede social que lhe dá nome, também o Instagram, WhatsApp e Facebook Messenger, permitiu a outras redes sociais ganhar espaço na Internet. À boleia da quebra daqueles serviços, que durou seis horas, a aplicação de mensagens Telegram arrecadou mais de 70 milhões de novos registos num único dia. Outras redes, como o Twitter, também viram um maior afluxo de utilizadores.

De acordo com a empresa especializada SensorTower, o Telegram e o Signal, ambas aplicações de mensagens, registaram um aumento de 18% e 15%, respectivamente, no que toca ao tempo médio que cada utilizador despendeu na segunda-feira naquelas redes em dispositivos Android. 

Esse aumento verificou-se também nos downloads na App Store da Apple: no domingo, o Telegram não era a principal aplicação gratuita para iPhone em nenhuma região rastreada pela SensorTower; por sua vez, na segunda-feira, dia da interrupção do Facebook, passou a ser a mais descarregada em 40 mercados. No mesmo dia, o Telegram passou de 56.º para quinto lugar das aplicações gratuitas mais descarregadas nos Estados Unidos da América.

Já o Signal, que no domingo não estava sequer entre os dez primeiros em nenhum mercado, subiu a esse patamar em 35 mercados, atingindo mesmo o primeiro lugar dos mais descarregados da App Store na Polónia.

O fundador do Telegram, Pavel Dulov, disse esta terça-feira que o crescimento de mais de 70 milhões de utilizadores num dia foi “um aumento recorde no número de adesões”, mostrando-se orgulhoso da sua equipa e da forma como aquela lidou com esse crescimento sem precedentes. “Gostaria de dizer o seguinte aos nossos novos utilizadores: bem-vindos ao Telegram, o maior serviço de mensagens independente do mundo. Não vos desapontaremos quando outros o fizerem”, garantiu.

Twitter diz “olá a literalmente toda a gente"

No Twitter multiplicaram-se as reacções à quebra do Facebook, que impediu os seus 3,5 mil milhões de utilizadores de interagirem. Numa publicação, a rede — cujo tempo médio de utilização pelos assinantes cresceu em 11% — saudou “literalmente” todos os novos utilizadores. “Olá a literalmente toda a gente”, escreveu o Twitter na conta oficial, arrecadando mais de três mil gostos e de 784 mil partilhas. 

As publicações relativas às aplicações do universo de Mark Zuckerberg tornaram-se nos tópicos do momento no Twitter com as hashtags #whatsapp, #facebookdown e #instagramdown.

Os utilizadores do Snapchat, com dispositivos Android, passaram mais 23% do tempo naquela rede do que o normal diário e o TikTok viu esta segunda-feira essa percentagem aumentar em dois pontos percentuais em relação aos restantes dias. 

Em contrapartida, as aplicações do grupo da Facebook Inc viram o tempo despendido pelos utilizadores diminuir devido às seis horas de interrupção: no Instagram esse período de utilização caiu 28%; no Facebook foi de menos 24%; no WhatsApp menos 25%; e no Facebook Messenger menos 20%. As acções do gigante tecnológico caíram na segunda-feira 4,9%, somando-se a uma queda de cerca de 15% registada desde meados de Setembro.

O Facebook excluiu na terça-feira a hipótese de o “apagão” mundial se ter devido a um ataque informático e atribuiu-o a um erro técnico causado pela própria empresa. “Queremos deixar claro que, neste momento, acreditamos que a causa desta interrupção foi uma mudança de configuração defeituosa”, escreveu a empresa no seu blogue, sem especificar o responsável pela alteração ou se foi propositada.

Num blogue da empresa o vice-presidente de infra-estruturas da rede social, Santosh Janardhan, afirmou que os serviços não ficaram inactivos por actividade maliciosa. Foi por “um erro causado por nós próprios”, disse. O próprio administrador e co-fundador da rede social Mark Zuckerberg pediu publicamente desculpas, não sendo a primeira vez que o faz

A interrupção aconteceu um dia depois de Frances Haugen, de 37 anos, que esteve no Facebook entre 2019 e Maio deste ano, ter acusado a empresa de enganar investidores e escolher o “lucro em detrimento da segurança”.