França vestiu a pele de campeão do mundo e derrotou a Bélgica

“Bleus” derrotam Bélgica por 3-2 depois de terem estado a perder por 2-0 e vão disputar a final da Liga das Nações com a Espanha no próximo domingo.

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Theo Hernández marcou o golo do triunfo francês Reuters/MASSIMO PINCA

Estão encontradas as duas selecções que vão defrontar-se para suceder a Portugal como conquistador da Liga das Nações. Depois de a Espanha ter triunfado sobre a Itália na primeira das meias-finais, a França agarrou o seu lugar de finalista com um triunfo por 3-2 sobre a Bélgica em Turim. Foi uma espectacular meia-final, de domínio partilhado e incerteza no marcador até ao final, em que os “bleus” recuperaram de uma desvantagem de dois golos e concretizaram a reviravolta em cima dos 90’. A final entre franceses e espanhóis está marcada para o próximo domingo, em Milão.  

Ambas as selecções chegavam a esta meia-final com vontade de limpar da memória colectiva a má imagem que haviam deixado no Euro 2020. Mais a França, o campeão do mundo que caiu nos oitavos-de-final contra a Suíça, do que a Bélgica, cuja liderança prolongada no “ranking” FIFA tem sido construída à base da regularidade e não de títulos. E pode dizer-se que este foi daqueles jogos em que as duas equipas mereciam passar. França e Bélgica equivaleram-se nos bons e maus momentos, ambas cometeram erros e deram espectáculo.

Foi um jogo de domínio partilhado. Ambas apresentavam o mesmo perfil táctico (defesa a três), mas a Bélgica, com o benfiquista Jan Vertonghen a titular, parecia mais confortável nessa pele. Logo aos 4’, um sinal de verdadeiro perigo começou num cruzamento de Lukaku e acabou numa defesa de Lloris a um remate de De Bruyne.

Parecia fácil para os belgas em chegar a zonas de finalização e fácil para limitar a acção do trio de ataque dos “bleus”. Mbappé tentava jogadas individuais, mas não tinha grande progressão, Benzema não tinha ninguém que o alimentasse. E os “diabos vermelhos” voltaram a estar perto do golo aos 30’. Eden Hazard ganhou espaço na área francesa e só um desarme milagroso de Koundé impediu que o homem do Real Madrid fizesse o primeiro do jogo.

Esse golo não iria tardar muito mais. Aos 37’, a concluir uma jogada individual, Yannick Ferreira-Carrasco arrancou um remate rasteiro que tabelou em Koundé e foi para o lado da baliza onde não estava Lloris.

Os franceses nem tiveram tempo para se adaptar à desvantagem. Aos 41’, Lukaku recebeu uma bola de costas para a baliza, rodou sobre Theo Hernández e arrancou para a baliza. Quase junto à linha de fundo, o avançado do Chelsea apontou para cima, disparou e não deu quaisquer hipóteses a Lloris. Pouco depois vinha o intervalo e o jogo parecia entregue aos belgas.

Depois de uma primeira parte indigna para um campeão do mundo, os franceses reentraram no jogo com outra disposição, com outra vontade de correr riscos. Mbappé começou a ter outra eficácia nos seus duelos individuais e as oportunidades apareceram. Aos 58’, o avançado do PSG ganhou o flanco e fez o cruzamento para a entrada de Griezmann, mas o avançado francês atirou ao lado. Três minutos depois, Mbappé fez estragos no outro lado do campo e deixou para Benzema. E o avançado do Real Madrid, no seu primeiro jogo pela França na Liga das Nações, sabia exactamente o que fazer. Recebeu guardou, tirou um adversário do caminho e fez o 2-1.

A França estava por cima, mas ainda tinha um longo caminho a percorrer. Esse caminho ficou mais curto aos 69’ quando Mbappé fez o 2-2 na conversão de um penálti que castigou uma falta de Tielmans sobre Griezmann. Com 20 minutos ainda por jogar, a incerteza era total em Turim e o jogo podia cair para qualquer lado. De Bruyne arrancou um remate que testou as qualidades de Lloris aos 73’, Courtois defendeu um remate de Tchouameni aos 77’, Lukaku festejou um golo aos 87’ que seria anulado por fora-de-jogo e, aos 90’, Pogba acerta na trave na conversão de um livre directo.

Logo a seguir, o golo que decidiu tudo. Pavard avançou pela direita e tentou um cruzamento na direcção de Benzema. Alderweireld não foi eficiente no corte e a bola foi parar aos pés de Theo Hernández, que disparou para o 3-2 e lançou a França para uma final que, 45 minutos antes, parecia completamente fora de alcance.