Seara Nova: a vitória póstuma da imprudência

Quando saiu o número mil, em 1946, Câmara Reys atribuiu à imprudência a duração e a relevância de uma revista que, da I República ao 25 de Abril, foi sempre uma voz crítica e um espaço de liberdade. Proença, Sérgio e tantos outros pagaram caro essa falta de cautela. Mas o país que tentou reinventar-se na Constituição de 1976 era em boa medida a concretização do ideário seareiro.

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Na fila de trás, as duas figuras à direita são Raul Proença, de laço, e Câmara Reys. À frente, da esquerda para a direita, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raúl Brandão DR

O primeiro número da Seara Nova, que iria tornar-se a mais duradoura e influente revista de ideias do século XX português, foi lançado há precisamente cem anos, no dia 15 de Outubro de 1921, por um grupo de intelectuais apostados em resgatar o espírito republicano de 1910, que se fora esvaindo entre clientelismos partidários e golpadas militares. Raul Proença, Luís da Câmara Reys, Jaime Cortesão, Augusto Casimiro, Aquilino Ribeiro, José Rodrigues Miguéis, Mário de Azevedo Gomes ou Emílio Costa são alguns dos nomes que compuseram o primeiro corpo directivo da revista, ao qual se associaria em breve, vindo do Brasil, um cúmplice de peso, António Sérgio.

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