#JustUseTeams, um movimento para dizer à Microsoft que chega de andar de avião

Activistas querem que a Microsoft pare com as viagens de negócios desnecessárias e comece a usar a sua própria ferramenta: o Teams. “Vocês mostraram que é possível continuar os negócios sem fazer tantos voos, o que significa que grande parte dos voos que fazem são inúteis”, lê-se numa carta aberta.

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Philip Myrtorp/Unsplash

Jaweria Baig, paquistanesa de 18 anos, nunca pôs os pés dentro de um avião — e está farta de ver empresários a voar de um lado para o outro. Por isso, a activista pelo clima escreveu uma carta aberta para Eric Bailey, director global de viagens da Microsoft, e Lucas Joppa, director-executivo ambiental da mesma empresa, onde lhes contou que nunca viajou de avião, mas que, no entanto, tem de viver “com as consequências de um planeta sobreaquecido devido às emissões de dióxido de carbono libertadas pelos aviões”.

Baig faz parte do movimento #JustUseTeams (apenas usem o Teams, em português), que junta utilizadores da Microsoft e activistas de todo o mundo, e quer forçar a gigante tecnológica a reduzir o número de voos empresariais, desafiando os funcionários da empresa a utilizarem as suas próprias ferramentas para comunicar, concretamente o Teams.

O movimento quer forçar os números de viagens de negócios da empresa a fixarem-se nos de 2020 — muito mais baixos relativamente aos outros anos devido à pandemia: “Vocês mostraram que é possível continuar os negócios sem fazer tantos voos, o que significa que grande parte dos voos que fazem são inúteis”, escreveu.

A Microsoft pertence ao conjunto de empresas que mais gastam em viagens, causando altos níveis de emissão de carbono. Em 2019, a só os voos de negócios foram responsável pela emissão de 392.557 toneladas métricas de gases com efeito de estufa. E Bill Gates, indica um estudo da Universidade de Lund, é um dos maiores “super-emissores”, graças às viagens que faz no seu jacto privado. “Os voos de negócios são a definição de injustiça climática: apenas 1% da população mundial é responsável por metade das emissões totais da aviação, enquanto 80% da população mundial, incluindo as pessoas que sofrem mais com as alterações climáticas, nunca estiveram num avião”, lê-se na carta.

A activista continua: “Não tem de ser assim. Durante a pandemia, todos aprendemos novas formas de viver, trabalhar, estudar. Muitos de nós começaram a fazer videoconferências, usando ferramentas como o Teams para nos conectarmos virtualmente. Os voos caíram para mínimos históricos, mas os vossos lucros não — continuaram a aumentar.”

Ao Mashable, Baig disse esperar que a empresa diminuísse os voos em pelo menos 60% — se não em 80%. E, acredita, se a Microsoft o fizer, outras grandes empresas podem ser inspiradas a fazer o mesmo. Através do site do movimento é possível contribuir para a causa: os funcionários da Microsoft são convidados a deixarem um testemunho sobre o quão cansativo viajar de um lado para o outro pode ser; quem não está envolvido com a empresa pode simplesmente tentar sensibilizar a Microsoft a reduzir o número de voos, através de um tweet, por exemplo. 

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