Calçado português regressa ao pequeno ecrã, desta vez, com Gisela João

Portuguese Soul estreia a 30 de Outubro às 18h30, na RTP 2. São oito episódios de 20 minutos, dedicados às matérias-primas da indústria portuguesa do calçado.

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É a estreia de Gisela João a conduzir um programa Frederico Martins
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Portuguese Soul estreia dia 30 de Outubro às 18h30 Frederico Martins

O calçado português está a chegar à televisão. Durante oito sábados, a partir de 30 de Outubro, às 18h30, na RTP2, os portugueses vão ter oportunidade de aprender mais sobre as matérias-primas e as pessoas que fazem com que a indústria portuguesa se destaque além-fronteiras. É a fadista Gisela João a conduzir o programa Portuguese Soul, que versa sobretudo sobre sustentabilidade, um tema que o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), Luís Onofre, destaca como “fundamental e prioritário”.

Algodão, couro, plástico, cortiça, lã, madeira, ouro e biomateriais serão os temas de cada um dos programas. A ideia é mostrar os bastidores de uma indústria por vezes desconhecida, descobrir a utilidade de cada um dos materiais mais nobres, as potencialidades das novas invenções, mas também dar-lhes um rosto. “O Portuguese Soul nasceu no seio da APICCAPS há 12 anos e procurou, desde a primeira hora, ser um cartão-de-visita do nosso país e uma mostra de talentos, seja em termos de calçado, seja na indústria do vestuário, do têxtil e da ourivesaria”, destaca o responsável de comunicação da associação, Paulo Gonçalves, na apresentação do programa, na quinta-feira.

Não é esquecida, claro, a sustentabilidade que tem sido um dos pilares da acção da associação nos últimos anos. “Juntamos organizações, empresas tecnológicas, empresas científicas, universidades, em conjunto com o nosso Centro Tecnológico do Calçado, de forma a sensibilizarmos não só os nossos empresários, mas também o público em geral para um tema tão importante como este”, explica o criador Luís Onofre, que assumiu as rédeas da APICCAPS no ano passado.

“Falar com costureiras e com artesãos é a minha linguagem”

Para Gisela João ser o rosto do programa foi um desafio completamente novo — é a estreia da artista na apresentação, ainda que o mundo da moda e, em especial dos materiais, não lhe seja alheio. “Faço tricô, faço bordados, costuro. Então esta é a minha praia, falar com costureiras e com artesãos é a minha linguagem”, conta ao PÚBLICO. Ao longo dos oito programas, garante, limitou-se “a fazer o papel da pessoa que está sentado no sofá em casa e queria fazer perguntas”.

Com produção da Brighter Films e argumento de Lígia Gonçalves, o programa, apoiado pelo fundo europeu Compete 2020, percorre alguns dos sítios mais marcantes da indústria portuguesa, do Centro Tecnológico do Calçado, em São João da Madeira, até Manteigas, a casa do burel. No vídeo de apresentação, vê-se Gisela João a conversar com Rosa Pomar, dona de uma retrosaria especializada em fios de lã, e com Adriana Mano, fundadora da Zouri, que produz calçado com plástico recolhido nas praias. “O saber não ocupa espaço e sinto que o que andei a fazer foi a acrescentar saber à minha vivência”, observa a fadista.

Este é o segundo programa que a APICCAPS apresenta na RTP 2 — em 2014 foi para o ar o What’s Up - Olhar a moda, sobre a indústria do têxtil e do calçado. A directora de programa da estação, Teresa Paixão, salienta a importância desta colaboração e recorda uma expressão da gíria: “Se te puseres nos sapatos do outro compreenderás melhor.”

Compreender melhor o que movimento da indústria em Portugal é umas finalidades de cada episódio de 20 minutos. Segundo dados da associação, o país exporta mais de 90% do calçado e o sector cresceu cerca de 50% na última década, tendo facturado 1,7 mil milhões de euros em 2019, após um pico de 2017 de 1,9 mil milhões de euros. À semelhança de tantos outros portugueses, Gisela João não tinha noção de “quantas pessoas estão envolvidas”, mas apela que “nunca é tarde para começar a pensar”. “Valorizam-se as coisas de outra forma”, conclui.

Luís Onofre termina com um apelo aos criadores de moda em Portugal, sobre a sustentabilidade: “Sei que a estética é absolutamente importante no nosso trabalho, mas se calhar, nos dias de hoje, com as mudanças estruturais em todo o mundo, vamos ter que começar a fazer isto [a moda] de outra forma, pensando mais no ambiente, escolhendo materiais mais sustentáveis e também formas de produzir mais amigas do ambiente.”