Vão continuar a escassear as vacinas para gatos, mas “falha temporária não é dramática”

Ordem dos Médicos Veterinários diz que a escassez temporária de vacinas para gatos não deverá ser uma preocupação nem para a saúde pública, nem para a dos animais não vacinados.

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Paulo Pimenta

Os laboratórios estão “a ratear as vacinas por todos os pedidos que têm de todas as clínicas” e os médicos veterinários estão a “gerir da melhor forma” as doses que vão chegando a conta-gotas, diz o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid. Desde Agosto que os médicos veterinários não têm doses para administrar a todos os gatos que lhes aparecem no consultório. As vacinas protegem de doenças como rinotraqueite, calicivirose e panleucopenia e os stocks  deverão regressar ao normal, “na melhor das hipóteses”, no primeiro trimestre de 2022.

A escassez temporária de vacinas para gatos é “um problema europeu”, mas não se traduz “num perigo para a saúde pública”, nem, por agora, num aumento de felinos doentes, diz o bastonário. Reconhece, porém: “Para os tutores causa alguma preocupação. Não direi que é dramático, mas causa preocupação.” 

Na Clínica Veterinária Arca D’Água, no Porto, por exemplo, há uma lista de espera de cerca de 100 gatos para vacinar, diz ao P3 Marlene Campos. Desde que começaram a registar falhas nas entregas das doses habituais, no Verão, as caixas de vacinas têm “chegado aos poucos”, mas estão longe de ser suficientes. “Queremos iniciar o protocolo vacinal em gatinhos bebés e não podemos”, diz. 

A 800 metros, no entanto, a Clínica Veterinária Quinta do Covelo diz que a situação “já está regularizada”. Esta semana começaram a “receber todas as doses” encomendadas, depois de quatro meses quase sem receberem vacinas.

Em caso de escassez, os critérios variam, explica o bastonário, mas a maior parte dos médicos veterinários estará a dar prioridade às “primo-vacinações” e aos “gatos que estão mais em contacto com outros ou mais no exterior”.

A falha na produção de vacinas não terá uma só explicação. O aumento do número de animais a vacinar, depois de se registar uma “maior procura de gatos durante a pandemia a nível europeu”, é uma das justificações apontadas também pela British Veterinary Association.

Os confinamentos decretados pelos governos para travar a pandemia também poderão ter atrasado algumas consultas para vacinação, bem como a produção de vacinas contra a covid-19, acrescenta Jorge Cid.

Haverá várias possíveis explicações para a escassez na produção de vacinas para gatos e não de cães, por exemplo. “O controlo de qualidade nos laboratórios das vacinas de gatos é um bocadinho mais complexo do que o dos cães. Esta é uma das razões”, diz Jorge Cid. “Também se produzem menos vacinas para gatos do que para cães”, realça. “Não posso garantir que [a falta de vacinas] não venha a acontecer também nos cães.”

Enquanto os tutores tentam encontrar uma clínica veterinária com stock disponível, o conselho passa por limitar o contacto com outros gatos e as saídas de casa.