O esgotamento do “espírito de 2015” e de António Costa

O esgotamento do “espírito de 2015” é também o esgotamento da liderança de António Costa. E esse é o elefante no meio da sala. Quando Costa criou o tabu dos dois anos, talvez já tivesse consciência disto.

Há um documentário excepcional de Ken Loach (o cineasta que foi recentemente expulso do Partido Trabalhista, agora liderado pelo inepto Keir Starmer) chamado “O Espírito de 45”, que explica as razões profundas da vitória esmagadora dos trabalhistas nas eleições de 1945, derrotando Churchill e o Partido Conservador. Vários historiadores já se debruçaram sobre o fenómeno: não foi o povo britânico a revelar a sua “ingratidão” a Churchill depois da vitória na II Guerra. Foi Churchill que não percebeu que o povo britânico, depois do esforço hercúleo da guerra, precisava que as suas miseráveis condições de vida mudassem. Havia um movimento em crescendo em defesa de um estado social, ancorado no famoso “Relatório Beveridge” – um alto quadro do “civil service” que nem sequer era trabalhista, mas do Partido Liberal – que vendeu milhares de exemplares. Churchill não o leu, nem percebeu o ar do tempo.