Dizei, romeiro: afinal quem aplica o Acordo? “Ninguém…”

É a mixórdia ortográfica que parece ter vindo para ficar, não o péssimo Acordo de 90, seu pai genuíno, já que a criou.

Que me perdoem Garrett e o seu Frei Luís de Sousa, mas há coisas que nos tiram a paciência. E o “ninguém” do regressado D. João adequa-se na perfeição à falsa ideia, muito generalizada, de que o Acordo Ortográfico de 1990 é seguido por toda a gente em Portugal, exceptuando uma meia dúzia de loucos ou de inimigos da Pátria. Há até quem, comentando uma crónica anterior, escreva isto: “[O] pretenso ‘caos ortográfico’, só o vejo no Público, que mistura ortografias nova e velha. O resto da comunicação social, incluindo jornais e televisões, bem como o ensino e os órgãos de soberania utilizam todos a nova ortografia, de forma bem coerente.” Utilizam todos? E de forma bem coerente, é o que diz? Pois bem, vamos lá medir a coerência desses “todos”, já que o PÚBLICO não precisa de medir a sua: usa a norma de 1945, como sempre o fez e prometeu continuar a fazê-lo de futuro, logo que o Acordo espreitou da sua toca, dando, no entanto, liberdade no espaço de Opinião para que cada autor use a norma que quiser. É um princípio como qualquer outro, mas é coerente com a defesa de liberdade de quem escreve, ao contrário dos que forçam os autores à dita “nova norma” ou lhes alteram os textos sem aviso.

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