Cartas ao director

O resto da tua vida

Perante o inelutável chumbo do Orçamento do Estado, António Costa vai ter de pensar no que fazer no resto da sua vida política. Por um lado, pode continuar como secretário-geral do PS e candidatar-se a umas novas eleições, que mais uma vez irão declarar o inevitável (a não maioria absoluta, a continuação da crise política).

Por outro lado, pode sair a bem do cargo de primeiro-ministro (talvez deixe saudades) e procurar vingar pela política europeia, esperando a saída de Ursula Von Der Leyen do cargo de presidente da comissão europeia (contudo, a alemã Angela Merkel está na pole position). Em alternativa, António Costa pode esperar pelas próximas eleições presidenciais e candidatar-se, onde têm sérias probabilidades de ganhar. Uma certeza existe, Costa não se vai reformar, o seu futuro é que ainda é incerto.

Gonçalo Leal, Lisboa

O bom, o mau e o vilão

Ao receber Paulo Rangel, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fez dois em um: desacreditou publicamente Rui Rio; apoiou uma futura liderança de Rangel pelo PSD. Qualquer líder com vergonha na cara ter-se-ia demitido perante esta falta de respeito institucional. 

Ao Presidente da República ficou mal: desrespeitou o líder do principal partido da oposição, tomando partido nas escolhas internas do mesmo. Sim, porque Paulo Rangel, neste momento, não é deputado nem líder parlamentar do PSD na Assembleia da República. Recebê-lo, não pode ter outra leitura que não seja a de receber o candidato a líder do PSD Paulo Rangel (dando-o a entender já como futuro vencedor, mesmo antes das bases do partido se pronunciarem). 

Mas não sei se Rui Rio, acossado, lhes fará o jeito (ao Presidente e a Paulo Rangel), provocando o congresso antecipado que Rangel agora reclama ou se, ferido, tentar-se-á vingar do incidente desrespeitoso, prolongando a agonia. Enfim. 

Já o Orçamento foi chumbado. Crise anunciada. Desrespeito institucional pela maior figura do Estado. O povo (que sempre paga as favas) a assistir a mais uma telenovela. Este país segue no seu (degradante) curso habitual. 

Miguel Salgueiro Meira, Viana do Castelo

Pagamos para votar

Eleições legislativas antecipadas significa subvenção estatal para os partidos que elejam grupo parlamentar ou tenham mais de 50 mil votos. Tendo em conta o valor do Indexante de Apoios Sociais (438,81), cada voto corresponde a 3,25 euros. Afinal, crise política com dissolução da Assembleia da República e marcação de eleições antecipadas é bom para o sistema partidário. Pagamos para votar, muitos sem o saber!

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

O PSD com Rio ou Rangel vai ganhar as eleições

Com o voto contra do PCP, o OE chumbou e vamos ter eleições antecipadas. Dois actos eleitorais seguidos não me parecem muito saudáveis, mas o certo é que o país precisava de levar uma grande volta, o que vai acontecer, pois o PSD, com Rio ou Rangel, ganha as eleições.
Costa deixou o país degradar-se e abandalhar-se e vai pagar por isso. Os serviços públicos estão caóticos. A lentidão é enervante e confrangedora. Portugal deve ser o país da Europa onde as coisas demoram mais tempo a serem feitas. Sem rapidez nem eficácia é difícil dobrar o Cabo Bojador. Para mais, com as reformas todas por fazer. Na Justiça, na Comunicação Social, no sistema político e em outros sectores-chave. Com Costa como candidato a primeiro-ministro, a derrota do PS será ainda mais pesada. Rio parece-me mais bem colocado do que Rangel para disputar as eleições. Os portugueses conhecem-no melhor. A sucessão de Costa, desencadeada por ele próprio, e a forma como se anunciou, foram um desastre total. Uma espécie de hara-kiri para o partido da rosa. Portugal precisa de competência como pão para a boca.

Simões Ilharco, Lisboa

Justiça a brincar connosco?

No PÚBLICO de 26 de Outubro há duas notícias sobre a Justiça. Na primeira, relativa a João Rendeiro, “o Tribunal da Relação tinha entendido que as sentenças tinham transitado em julgado e por isso foram emitidos mandatos de detenção mas, uma semana depois o Supremo Tribunal revogou a prisão por considerar que a pena ainda não transitou em julgado”. Na segunda, sobre a Operação Marquês, “Ivo Rosa mandou entregar todos os volumes do processo no Campus de Justiça, a juíza de primeira instância devolveu-lho mas de seguida o magistrado remeteu-lhe de volta. Agora vão parar-lhes novamente às mãos contra a sua vontade. Vai ser preciso um camião”.

Anda a Justiça a brincar connosco e com o nosso dinheiro? Será assim tão difícil ser rigoroso e fazer bem à primeira? A quem e como se responsabiliza o desperdício de tempo, recursos e dinheiro, sabendo nós que os pagantes do prejuízo são os contribuintes?

Maria Pereira, Lisboa

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