Coligações, acordos, compromissos? Logo se vê

A única solução viável para a campanha é a solução clássica: os partidos que nos expliquem o que fariam de Portugal se governassem sozinhos – e depois, quando o povo falar, logo se vê.

A julgar pelas últimas semanas, há um desejo geral de que a campanha para as legislativas seja dominada pela questão da governabilidade. Mais do que o rol de propostas alternativas para o país, aquilo que pelos vistos toda a gente exigirá aos partidos é que sejam claros quanto às coligações ou entendimentos que defendem para o período pós-eleitoral, de modo a assegurar a estabilidade política. Tenho muitas dúvidas sobre a viabilidade, a utilidade e a bondade de concentrar neste tema a campanha e o escrutínio dos partidos. Tudo o que agora se diga não só será bastante fútil como, pior ainda, diminuirá a margem de manobra dos protagonistas após 30 de Janeiro. Se queremos que depois das eleições os líderes se comportem como gente adulta numa democracia madura, sem demasiados complexos sobre os acordos necessários, então é preciso que para já – antes de se conhecerem as geometrias possíveis na futura composição da Assembleia – se mantenham o maior número de hipóteses em aberto.

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