Boa semana — e boa sorte

Mais dois ou três anos perdidos até ao meio desta década significará forçosamente medidas mais duras e mais caras no futuro próximo, se ainda levarmos o assunto a sério.

Se dúvidas houvesse sobre o fracasso da COP26, “conferência de partes” da ONU para o acordo sobre alterações climáticas, bastaria para as esclarecer rever as imagens do presidente da mesa pedindo desculpas e sustendo as lágrimas ao admitir mais uma cedência de última hora protegendo os produtores de carvão. O ministro britânico Alok Sharma, incaracteristicamente para um membro do governo de Boris Johnson, não foi capaz de mentir e admitiu o desapontamento criado por um pacote de medidas que, ainda assim, disse ser “necessário proteger”. Numa conferência de imprensa que tinha dado antes já admitira que mesmo as medidas que foram aprovadas ficam ao critério dos governos se serão, ou não, cumpridas. “Os países que não o fizerem serão julgados por isso” — palavras pouco tranquilizadores vindas de um governo que ainda recentemente admitiu a intenção de não cumprir com acordos internacionais, violando uma das poucas regras que é suposto manter o sistema internacional de pé.

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