Theo Anthony, o pauzinho na engrenagem

Com apenas duas longas, o americano já é um dos mais extraordinários cineastas do real contemporâneo, um investigador dos “ângulos cegos” da nossa sociedade inspirado pela literatura e pela física. Em foco, imperdível, no Porto/Post/Doc.

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Em 2016, o Doclisboa revelava aos espectadores portugueses uma das mais fulgurantes primeiras longas do século XXI: Rat Film (2016), um olhar para Baltimore (a cidade de The Wire) que pegava nas infestações de ratazanas para explorar o “racismo estrutural” de uma cidade que se construiu e cresceu de acordo com divisões de classe e cor de pele. Um filme que nasceu do acaso: uma ratazana a tentar sair de um caixote do lixo que Theo Anthony (Baltimore, 1989) filmou com o seu iPhone. Fotógrafo, repórter, cineasta, aluno da Rogue Film School de Werner Herzog, Anthony conseguia, à primeira longa, a proeza de filmar ao mesmo tempo, no mesmo plano, o pessoal e o político. Ou, como diz ao Ipsilon, “nunca estou a correr atrás de singularidades, mas sim a abrir espaço para pluralidades”.

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