Um romance para tirar Moçambique do gueto

João Paulo Borges Coelho escreveu um romance central na história da literatura em português. Chama-se Museu da Revolução e podia ser um épico se não fossem os esquecidos que lhe interessassem. É a eles que se ergue este monumento.

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Rui Gaudêncio

Atrás do escritor está um mapa da África Austral. Sentado à secretária, João Paulo Borges Coelho. Nascido do Porto, filho de uma moçambicana e de um português, foi viver cedo para Moçambique e tornou-se moçambicano por escolha. É dali que fala, do lugar onde escolheu viver sem apego a fronteiras, como refere nesta conversa a propósito do seu romance, Museu da Revolução. Nele, o historiador encontra-se com o ficcionista. São ambos a mesma pessoa, mas aqui a pessoa escolheu a liberdade da literatura para o retrato onde cabe um país em toda a sua complexidade. Com as feridas do colonialismo, das guerras, dos massacres, da fome, da humilhação. É um épico que se afirma como anti-épico. É um dos livros mais importantes até agora escritos sobre a contemporaneidade em Moçambique. E do mundo em português.

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