Príncipe herdeiro do Japão critica a cobertura mediática do noivado da filha

Akishino acusa os meios de comunicação social de criarem ideias falsas e promoverem o ódio relativamente ao casamento da sua filha com um plebeu.

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O príncipe Akishino com o filho, o príncipe Hisahito, e a filha Kako no jardim de casa Reuters/Imperial Household Agency of Jap

O príncipe herdeiro do Japão criticou os media, nesta terça-feira, por fabricarem falsidades e “ideias terríveis” aquando da cobertura do casamento da sua filha, a antiga princesa Mako, que perdeu o seu estatuto real ao casar-se com um plebeu, no mês passado. 

Mako, de 30 anos, chegou a adiar o seu casamento com Kei Komuro, depois de surgir um escândalo financeiro associado à mãe do noivo, que foi extremamente usado pela oposição. Por consequência, Mako foi diagnosticada com o síndrome de stress pós-traumático durante esse mesmo período. De acordo com a lei japonesa, Mako abdicou dos seus direitos reais quando casou, num notário local, em Tóquio, e voou para Nova Iorque, EUA, com o então recém-marido, Kei Komuro. 

O príncipe herdeiro Akishino, irmão do imperador, teceu algumas críticas — o que é pouco comum vindos de um membro da família real japonesa —, numa conferência de imprensa para assinalar o seu 56.º aniversário. “Se lerem os tablóides, não há outra forma de os chamar, há muitas coisas que lá estão que são fabricadas, apesar de existirem outras opiniões a que devemos dar ouvidos”, declarou Akishino quando foi questionado sobre a ligação da cobertura mediática e o diagnóstico da sua filha. 

Apesar de o Japão ter ficado encantado quando Mako e Komuro anunciaram o seu casamento, em 2017, as revelações do escândalo resultaram num forte escrutínio mediático que abalou a popularidade do casal. “Em relação a notícias na internet há também vários comentários... E alguns dizem coisas verdadeiramente terríveis”, acrescentou Akishino. “Há pessoas que ficaram realmente magoadas com estas calúnias.” 

Alguns especialistas sobre a família real afirmam que a atenção que suscitou o casamento de Mako, contra o qual houve protestos nas ruas, acabou por diminuir com a gestão da questão pela Agência da Casa Imperial, um órgão governamental que se dedica a tratar de questões relacionadas com na família real. Akishino reconhece o trabalho da agência em corrigir informações erradas que aparecem no site, mas assume que é preciso reforçar ainda mais este tratamento de dados. “A cobertura mediática negativa pode continuar, então penso que será necessário considerar elevar os standards em colaboração com a Agência da Casa Imperial”, propôs o príncipe. 

Akishino anotou ainda que a decisão de a filha renunciar de todas as cerimónias matrimoniais foi dele, já que sentiu que o escândalo relativo ao dinheiro emprestado à família de Komuro pelo ex-noivo da sua mãe, não estava totalmente clarificado. Mas, acrescentou, “eu penso que teria sido mais apropriado se tudo pudesse ter sido realizado como de costume”.