No planeta Dimitris Papaioannou, até o degelo é espectacular

Transverse Orientation, que agora chega ao Porto e a Lisboa, confirma o talento ilusionista do coreógrafo grego. Um labirinto de metáforas visuais, com minotauro, psicanálise e crise climática nas entrelinhas.

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Julian Mommert
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Dimitris Papaioannou
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As mais de 600 pessoas que aplaudem arrebatadamente a 42.ª apresentação de Transverse Orientation numa pequena cidade do Sul de França deixam Dimitris Papaioannou dormir descansado. O artista grego que em 1986, ao criar o Edafos Dance Theatre, se desviou da pintura para procurar no palco algo que verdadeiramente lhe desse luta, e que em 2014, com Still Life, se impôs como um dos mais desejados do establishment da dança europeia – basta dizer que, no pós-Pina Bausch, foi o primeiro a ter a honra de criar uma peça de longa duração para o Tanztheater Wuppertal –, continua inquieto. Anos e anos de aclamação inter pares e de banhos de multidão (não esqueçamos as cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, que também lhe coube coreografar…) não lhe dão, de todo, o conforto que esperaríamos encontrar num criador blockbuster. E é por isso (mas também porque acredita “em polir”) que não se permite perder uma única apresentação dos seus espectáculos: “Faz parte das minhas obrigações profissionais. Quero que os espectadores saibam que o que viram é algo que o artista lhes deu pessoalmente. É uma questão de justiça”, diz ao Ípsilon numa esplanada de Martigues, onde a sua última criação fez escala antes de se apresentar no Porto (Teatro Rivoli, sexta e sábado) e em Lisboa (Centro Cultural de Belém, dias 10 e 11).

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